1. No início Jesus falou,
2. E disse assim "Irmãos e Irmãs, comei e bebei, este é o meu Adeste Fidelis!"
3. E disse ainda,
4. "Trago-vos a palavra do Senhor nosso Deus."
5. "E o Senhor nosso Deus assim falou:
6. Cometei muitos regicídios nos bolos Rei."
7. E depois continuou,
8. E disse assim:
9. "Tudo de bom para as almas, e para os corpos."
10. E Jesus pegou num cartaz enrolado e disse ao desenrolar:
11. "Aqui tendes a imagem do Senhor nosso Deus."
12. E os discípulos fizeram "ohhhhhhhh" em coro.
13. E Jesus desenrolou até ao fim.
14. Era Luiz de Camões.
Prolepse - Adeste Fidelis (2005)
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Música No. 7 - O Cego de Amor

O cego vai à casa da donzela, sua amada,
E, sem perder tempo, diz a ela à entrada:
E diz o cego:
— Donzela, abre a porta
Ao cego perdido;
Deita-me um lenço,
Que venho ferido.
E diz a donzela:
— Se tu vens ferido,
Venhas, embora;
A porta eu não abro,
Não dou lenço agora.
Venha, minha mãe,
Venha cá ouvir,
Um cego tão belo
Cantar e pedir.
A mãe vê aqui uma oportunidade
Para educar a filha na caridade.
— Se ele canta e pede,
Dá-lhe pão e vinho,
E ao pobre cego
Ensina o caminho.
E diz o cego:
— Eu não tenho sede,
Nem quero beber;
Preciso de guia
Pra não me perder.
E a mãe insiste:
— Oh! Vai, minha filha,
Pega na meada
E ao pobre cego,
Ensina a estrada.
A filha, resignada,
Decide guiar o cego pela estrada.
E diz a filha:
— Adeus, minha aldeia,
Tão querida e amada;
Adeus minha mãe,
Vou ser desgraçada.
E diz o cego:
— Por Deus, ó donzela,
Não vertas o pranto;
Segue o pobre cego,
Que te ama tanto.
Aqui a donzela usou de argumento,
para saber se era amor verdadeiro,
ou apenas atrevimento.
E diz a donzela:
— Dizes que me amas,
Não o posso crer,
Pois sendo tu cego,
Como me hás-de ver?
E diz o cego:
— Com os olhos da alma
Por Deus, Nosso Senhor,
Segue e acompanha
O cego de amor.
E foram os dois.
Seguiram os dois
Pela estrada adiante,
Sem querer descansar
Sequer um instante.
Depois disse o cego:
— Queres ser minha amada?
— Sim! — Disse a donzela,
Meio atrapalhada.
Passados oito dias,
(Oh! Que esplendor!)
Casou-se a donzela
Com o cego de amor.
Prolepse - Cego de Amor (teste) (2010)
As estrofes a cinzento escuro são o poema O Cego de Amor propriamente dito. Extraído de uma edição de bolso e com o português modernizado, é, todavia, parte integrante do Romanceiro Português.
As passagens a cinzento claro são acrescentos meus.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Música No. 6 - É uma casa muito bela

É uma casa muito bela
Pintadinha de amarela
Tem paredes de Marfim
E tantas flores no jardim
O Telhado é um primor
Feito com tanto amor
O tecto pintado a ouro
Não há igual tesouro
Janelas de fino Cristal
As portas de talho especial
Com a luz tão vibrante
Até de noite é brilhante
Cortinas de seda lisa
Ondulada pela brisa
Colunas em granito
Ah! é tudo tão bonito
Com as mãos ergui a casa
Com tijolos e argamassa
Casa que irei demolir
Pelo prazer de destruir
Tenho uma força de aço
Não darei nem mais um passo
Até reduzir a casa
A escombros e a brasa
É uma casa muito bela
Pintadinha de amarela
Casa que irei demolir
Pelo prazer de destruir
Prolepse - É uma casa muito bela (2010)
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Esmolas No. 2
"Esmolas para confundir o que há muito foi esclarecido."

Durante o processo de reestruturação empresarial em Itália, nos anos 70, foram ocupadas um sem número de fábricas. Estas gravações foram feitas durante o período de ocupação da Filati Lastex, uma fábrica de produtos químicos situada na província de Bergamo, a norte do país.
Trezentos trabalhadores, atingidos pela avareza de tostão, ocuparam as instalações e permaneceram ali desde 22 de Novembro de 1974 até 4 de Julho de 1975. Esta acção foi grandemente apoiada pela população da região e não só, que, com frequência, faziam manifestações de apoio no exterior do recinto.
Manifestação de rua com slogans como: façamos pagar a crise aos patrões, poder a quem trabalha, poder operário, etc
Belíssimo tema musical, tocado no refeitório, que acabou por envolver todos os presentes.
Um operário conta que, 10 ou 20 anos antes, lhe impingiram a ideia que os comunistas são maus, mas durante o seu crescimento percebeu que tinha que juntar-se a eles.
Uma operária fala sobre o facto de alguns companheiros seus pintarem quadros e com eles terem feito uma lotaria para recolha de fundos.
Cantilena na cozinha da fábrica enquanto algumas operàrias lavam a louça. Em resumo a letra diz: nao queremos a bandeira branca, nao queremos a bandeira negra (em Itália significa fascismo), queremos a bandeira vermelha.

Durante o processo de reestruturação empresarial em Itália, nos anos 70, foram ocupadas um sem número de fábricas. Estas gravações foram feitas durante o período de ocupação da Filati Lastex, uma fábrica de produtos químicos situada na província de Bergamo, a norte do país.
Trezentos trabalhadores, atingidos pela avareza de tostão, ocuparam as instalações e permaneceram ali desde 22 de Novembro de 1974 até 4 de Julho de 1975. Esta acção foi grandemente apoiada pela população da região e não só, que, com frequência, faziam manifestações de apoio no exterior do recinto.
Manifestação de rua com slogans como: façamos pagar a crise aos patrões, poder a quem trabalha, poder operário, etc
Belíssimo tema musical, tocado no refeitório, que acabou por envolver todos os presentes.
Um operário conta que, 10 ou 20 anos antes, lhe impingiram a ideia que os comunistas são maus, mas durante o seu crescimento percebeu que tinha que juntar-se a eles.
Uma operária fala sobre o facto de alguns companheiros seus pintarem quadros e com eles terem feito uma lotaria para recolha de fundos.
Cantilena na cozinha da fábrica enquanto algumas operàrias lavam a louça. Em resumo a letra diz: nao queremos a bandeira branca, nao queremos a bandeira negra (em Itália significa fascismo), queremos a bandeira vermelha.
terça-feira, 20 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Humanísticas No. 2 - Monólogos do Caralho

Os Monólogos do Caralho são um conjunto de textos hilariantes baseados numa pessoa muito particular. O autor goza agora de uma distância de segurança que lhe permite publicar os textos sem receio de acabar no Mondego.
Siga o caminho do Jazz e contemple as caralhadas.
domingo, 18 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Desaconselhados No. 3 - Deus Pátria Autoridade

Tal como o Bom Povo Português, este filme de Rui Simões foi realizado com imagens de arquivo. É, sumariamente, uma analise da sociedade portuguesa a partir de pontos vitais como o estado novo, a influência da igreja, a guerra colonial, a revolução de abril, etc.
Queriam a revolução e quando a tiveram meteram-se a fazer destes filmes, não estão contentes com nada, dá-se-lhes um dedo e logo querem o braço. Deixem-se de conversas, só querem é queixumes e pardais ao ninho. Eu desaconselho este filme com todas as forças!
Deus Pátria Autoridade (1976)
parte 1 | parte 2 | parte 3 | parte 4 | parte 5
(nota: descarregar as 5 partes, descompactar o rar e regar com um fio de azeite)
(profundo agradecimento ao Bilic por me ter enviado este DVD)
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Música No. 5 - Esquizofrenia

Nesta esquizofrenia aparecem três animais bíblicos (gafanhoto, serpente e pomba) que dizem e insistem, a um pobre desgraçado, que tem esquizofrenia. E uma pessoa reage mal a estas coisas.
A versão 6 está arranjada e pode ser servida assim mesmo, a outra versão, a 1, foi gravada de um fôlego.
Prolepse - Esquizofrenia (v6) (2010)
Prolepse - Esquizofrenia (v1) (2010)
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Música No. 4 - Clara Lopes

Clara Lopes é o personagem de uma história popular transcrita e dada à estampa em 1751 por Manoel de Passos, "homem preto, natural de huma das terras que ficao debaixo da Zona Torrida".
O mote da história não é de todo incomum, uma mulher feia como a morte, mas com um coração bom e generoso, acaba por sofrer da sua terrível aparência quando uma noite tenta ajudar um estudante (de Coimbra) que a confunde com o diabo e lhe dispara um tiro.
O poema usado neste trecho é precisamente o momento em que o jovem a vê e se assusta, daí dizer "Quando a bruxa feiticeira / Voltou para mim a vista / Supus tinha na conquista / O Diabo à cabeceira".
O episódio completo pode ser lido aqui, embora depois a história continue com o processo em tribunal.
Prolepse - Clara Lopes (2006)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Humanísticas No. 1 - A Visita do Papa
A VISITA DO PAPA Entre. Não peca nada.
de Alberto Pimenta
(...)
O papa / Limitar-se-á / A Clamar e proclamar que / O

É o mais macio e absorvente de todos / (além disso apresenta-se desde agora em / modelos duplex com 900 folhas em todas / as gamas de cores do arco-íris e / um estojo da maior utilidade!)
(...)
Para ler toda a encíclica dirija-se ao iluminado blog do Silêncio dos Poetas.
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